Não se pretende fazer aqui crítica literária. Sou um cidadão do mundo que sente amor natural pelos livros. Na minha casa as paredes estão cobertas pelos livros. E falo com eles ou melhor eles falam comigo como se fossemos grandes amigos. Revelam-me os seus segredos e os conhecimentos dos seus autores ou contam-me histórias onde se inscrevem valores humanitários universais.

São ensaios, romances, contos e narrativas, peças de teatro, clássicos e modernos, mas também sobre o ambiente ou tecnologias úteis no nosso dia-a-dia. São obras que fazem parte da minha paixão pelos livros e que humildemente indicamos como sinal e guia para quem deseje conhecer conteúdos que julgamos dignos e fiáveis.

E porque desejo transmitir uma análise que embora pessoal seja minimamente correcta nem sempre consigo manter a actualidade que seria normal se a falta de tempo por abraçar outras actividades não o impedisse. Mas aqui estarei sempre que possa.

Gil Montalverne

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COMO EVITAR
UM DESASTRE CLIMÁTICO

Bill Gates

Ed. Porto Editora

Quando entrevistei este homem em 1998 ele já era uma celebridade no mundo da Informática e por isso mesmo o então presidente da Microsoft fora convidado a visitar Lisboa no âmbito de um acordo com o Governo para a produção de mais ferramentas informáticas em língua portuguesa e da entrega de prémios aos jovens durante a Expo 98. E foi no final da sua conferência no Pavilhão do Conhecimento que Bill Gates respondeu às duas perguntas de cada um dos jornalistas que tinham aceitado as suas condições. Tínhamos de nos sujeitar a uma inscrição prévia revelando o teor das perguntas, não sendo permitido levar conosco dispositivo para gravação da conversa. A comunicação social não gostou muito destas exigências e foram poucos os jornalistas que apareceram. Mas eu arrisquei. Fiz a entrevista que depois resumi num apontamento incluído num programa da RDP e num artigo publicado mais tarde na revista Tempo Livre. Tanto quanto me recordo falou sobre a importância das tecnologias da informação e do papel da Microsoft ao promovê-las de modo a alcançarmos um futuro melhor, destacando eventualmente algumas novidades que poderiam aparecer em futuros sistemas operativos. Mas nada foi mencionado acerca do meio ambiente e das suas preocupações a esse nível pois eu teria entrado numa área que faz igualmente parte da minha actividade de jornalista além da Informática. Mas foram muitas as vezes que dele falei ou citei como presidente da Microsoft. Entretanto começaram a aparecer as notícias - e foram muitas – sobre aquilo a que passara a dedicar-se ao deixar a grande empresa que criara tornando-se muito visível o que era feito pela Fundação Bill & Melinda Gates, sobretudo ajudando os países mais pobres ou em vias de desenvolvimento. Compreende-se portanto o meu interesse quando ele entra agora no segundo sector da minha carreira profissional. E não podia deixar de trazer aqui ao meu site este seu livro em que nos fala de Como Evitar um Desastre Climático. Nesta última década Bill Gates dedicou grande parte do seu tempo a estudar as causas e efeitos das alterações climáticas, tendo contactado com muitos cientistas e peritos no domínio da física, química, biologia, engenharia e ciência política e finanças. E foi então que concluiu existirem uma série de acções que têm de ser feitas de modo a evitar o tal desastre climático. Neste seu livro encontramos grande parte dos seus estudos alertando para a necessidade de alterar muitas das atitudes que temos tomado em relação ao meio ambiente e à forma como vivemos de modo a alcançar a chamada neutralidade carbónica em todas as actividades da vida moderna. Bill Gates indica-nos as áreas onde as novas tecnologias nos estão a ajudar e as novas soluções para as tornamos mais eficientes. Aliás, logo no início da sua obra ele diz-nos que “existem dois números que precisa(mos) de conhecer acerca das alterações climáticas. O primeiro é 51 mil milhões. O outro é zero. Cinquenta e um mil milhões de toneladas é o total de gazes com efeito de estufa que lançamos actualmente na atmosfera. E embora possa subir ou descer um pouco, este número não tem parado de crescer. É aqui que estamos se nada for feito. Zero é o valor que temos de atingir. Ora é isso mesmo que nas quase 300 páginas do seu livro Bill Gates nos ajuda a alcançar.

Para ler um excerto deste livro clique “aqui”


RITUAIS COM CRISTAIS

Naha Armandy

Ed. Albatroz


É possível que exista uma razão especial para me interessar por esta obra para além dos chamados rituais. Ao longo dos anos os cristais sempre me encantaram, não só as pequenas pedras coloridas que fui coleccionando e preenchem várias prateleiras de um móvel onde está também a minha colecção de fósseis e de conchas conseguidas em mergulhos que fiz em diversos locais do mundo. Mas ainda há outra razão bem forte. Fiz fotografias de micro-cristais com auxílio de um microscópio que tiveram tanto êxito pela originalidade e beleza que foram aceites pela Fundação Gulbenkian para uma grande exposição de meia centena de grandes ampliações chamada Fantasquímica. Foi aliás repetida em vários centros de exposição onde os quadros eram vendidos, tendo eu sido considerado a quarta pessoa no mundo a descobrir o segredo para conseguir aquele tipo de fotografias, segredo que os outros autores não queriam revelar nos artigos que escreviam. Deram também origem a um artigo de 6 páginas que fiz para a revista National Geographic de que sou membro. Explicado o meu natural encanto pelos cristais, sem esquecer que uso há muito tempo uma pequena ágata azul ao pescoço (a minha pedra segundo a data do nascimento) e uma ametista que me acompanha sempre no bolso. No entanto, nunca me preocupei em saber que influência poderiam ter sobre mim e a minha vida, além do encanto que me dava a sua beleza. Ora um praticante de Yoga como eu que aprendi a fazer meditação com um bom professor fiquei igualmente encantado em conhecer este livro de Rituais sobre Cristais onde a autora nos explica como utilizá-los durante a meditação. O que seria então que os cristais conseguiam para além do encanto de os contemplar? Ora é isso que a autora do livro Naha Armady nos vai explicar nos diversos capítulos do seu “Rituais com Cristais”. Não é por acaso que ela tem o certificado de cristaliterapeuta, tendo estudado com vários professores e formadores na teoria dos cristais. Em determinado momento da sua vida resolveu libertar-se de um determinado emprego e decidiu olhar mais de perto os seus cristais que habitualmente comprava para a loja onde eram vendidos e de repente decidiu também libertar os que tinha na prateleira especial de um seu armário. Perante esta sua atitude lembrei-me logo dos meus que também viviam numa prateleira, como disse há pouco. E a partir daquele momento passou a procurar que tipo de influências poderiam ter no nosso organismo e em numerosos aspectos da nossa vida, desde explorar apenas a nossa mente ou o nosso coração e concluir que temos possibilidade de exercer uma acção sobre eles e atingir o melhor bem estar possível enquanto sentimentos calmantes preenchem os momentos especiais da nossa vida. A autora ensina como podemos aumentar a nossa capacidade de cura e como esta pode funcionar e aumentar através dos cristais. Nós, ao seguir as páginas do seu livro, entre tantos cristais e formas de os manipular, fornecendo-nos os meios para alcançar as virtudes específicas de cada um deles, sobretudo dos que pertencem à nossa esfera temporal pelo ano em que nascemos, a família onde vivemos, a sequência interminável de factos da nossa vida, ficamos de facto um pouco admirados com o significado de uma centena de cristais. E se nos interrogarmos sobre como é possível alcançar a cura pelos cristais e conseguir mesmo verdadeiras mudanças positivas na nossa vida, para aqueles que duvidem de tais poderes vale a pena experimentar. Porque não? Nada temos a perder. A ágata que trazíamos como pendente ao pescoço já vai variando de posição entre estar mais perto da garganta ou do chamado plexo solar, a meio do peito, conforme pretendemos que a sua energia incida mais acima ou mais abaixo. Pessoalmente recordámos sobretudo o plexo solar que o nosso professor de yoga nos indicava para certos exercícios. E correspondem aos diversos chacras que podiam ser invocados durante a meditação. Mas aqui, os cristais são descritos, conforme a cor que apresentam, os 7 chacras existentes no nosso corpo, desde o mais inferior que parte da base dos pés até ao topo da cabeça onde sai pela chamada coroa. Seguirá o leitor ou não aqueles rituais indicados no livro? Pode ser uma experiência que mal não faz e que nos ajuda a conhecer melhor a intensidade de certas energias que fluem dos cristais para nós ou vice-versa. Exactamente, todos sabemos que tendo estado no solo onde se formaram adquiriram certas energias. E também sabemos que todas as energias podem de facto ter uma certa influência no nosso corpo ou na nossa maneira de ser e viver. Depois de conhecermos as variedades e características dos 100 cristais aqui descritos, podemos tentar algum dos rituais apresentados. Não é difícil. Já o fizemos e há algo que sentimos chegar de fora para dentro. Será essa a finalidade desta obra. Talvez sim mas não só. É sempre bom conhecermos mais alguma coisa sobre aquilo que nos rodeia e por onde passeamos os nossos pés. Esta maravilhosa terra que é nossa e que devemos lutar pela sua conservação. Igualmente os cristais que alguns de nós temos em prateleiras nas nossas casas ou em cima de um qualquer móvel de qualquer sala.  


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A CIÊNCIA
NO GRANDE TEATRO
DO MUNDO
António Manuel Baptista

HOMENAGEM

Esta importante obra da autoria de um dos nossos grandes investigadores, nomeadamente em física nuclear e por tal premiado e distinguido internacionalmente, professor universitário e grande divulgador da ciência em palestras, programas de rádio e de televisão, autor de livros e estudos e artigos em revistas internacionais, aparece aqui e agora por duas razões. A primeira por ser uma forma de eu homenagear um grande amigo, que acaba de nos deixar no passado dia 6 de Junho, após um longo período de sofrimento mas que manteve quase até ao fim um cérebro fantástico com capacidade de com ele continuarmos sempre a aprender muito sobre a ciência e a vida. Só agora também, porque esta sua obra que nos ofereceu, como aliás as anteriores, foi a última que publicou na importante série “Ciência Aberta” da Gradiva. Mas publicada em 1998, já se encontrava esgotada quando iniciámos este nosso projecto “Amor pelos Livros” e assim se manteve até ao presente. Com a sua divulgação aqui neste momento e até que haja, como julgamos merecida, uma reedição, vamos naturalmente falar um pouco dela e do autor e daremos ao mesmo tempo, como é nosso hábito, a possibilidade de serem lidos pelos nossos visitantes alguns excertos que, naturalmente não chegam para dar a conhecer totalmente a sua importância. António Manuel Baptista com quem, como já se depreendeu, desenvolvemos uma grande amizade, desde que na rádio realizava o seu programa “ A Ciência ao Serviço do Homem”, que lhe valeu o Prémio de Imprensa (Rádio) em 1969, era realmente uma pessoa extraordinária. Considerado, como aliás foi salientado no recente comunicado do MEC um homem extremamente culto, conversador vivo e inteligente era também um homem generoso. Os seus conhecimentos científicos que sabia divulgar com uma inexcedível clareza eram assim colocados ao sabor de quem o ouvia ou lia devido à sua grande generosidade. E esta sua qualidade esteve sempre patente, tanto na sua vida profissional como na sua vida particular. Disso demos conta muitas vezes e até eu próprio me interrogava como ele quase me considerava seu “par” – eu um simples jornalista da área da ciência – quando falava comigo ou colocava uma dedicatória nos seus livros que me oferecia como é o caso que aqui reproduzo 
“velho companheiro de boas batalhas (todas certas mesmo que os resultados estivessem errados)”. Só um amigo generoso poderia escrever isto de quem, como eu, só poderia ter batalhas, que as tive, mas num campo muito inferior ao seu. Ele sim, sabia como enfrentar os debates de alto nível, defendendo as suas ideias a favor de uma cultura científica, essencial para o progresso deste país. Nesta sua obra que aqui trazemos, António Manuel Baptista consegue descrever o caminho percorrido desde que aparece aquilo a que se pode chamar a filosofia natural até à filosofia experimental (título aliás do primeiro capítulo), isto é, a ciência. Desde o século VI a.C. com Tales de Mileto onde terão sido dados os primeiros passos para “pensar racionalmente a natureza sem o constante recurso à intervenção de divindades e mitos”, vão desfilando no grande Teatro do Mundo, os grandes filósofos de que citamos naturalmente Pitágoras, Platão e Sócrates, Arquimedes, mais tarde Kepler, Galileu ou Newton, enfim Einstein, Bohr, Heisemberg, todos os grandes cientistas/filósofos ou apenas com uma mais significativa incidência numa dessas duas áreas vão aparecendo no grande palco do teatro científico que abrange os quatro cantos do mundo. E este é verdadeiramente um mundo a cinco dimensões pois inclui também a importante coordenada do tempo. António Manuel Baptista, com a sua inexcedível sabedoria, descreve-nos todo esse longo desfile de grandes personagens na história da ciência mas a sua contribuição para o esse conhecimento vai mais longe do que isso. Como se todas as teorias ali descritas fossem, como aliás sempre defendeu, muito simples, transforma-se numa companhia admirável que nos parece estar ao nosso lado, conversando amigavelmente sobre algo que, sendo complicado, afinal se torna muito simples. Simples, é claro, porque ele assim nos faz ver e crer. Porque ele sabe. E sabe como nos há-de explicar. Aliás tinha uma curiosa máxima que seguia rigorosamente: “Se não conseguirmos explicar de forma elementar conceitos científicos complexos é porque não os dominamos”. E arriscamo-nos a pensar que foi essa necessidade de absorver aquilo que a ciência lhe apresentava que o levou ao seu fervor de, apresentada que fosse a oportunidade, divulgar o que sabia com uma simplicidade que ultrapassava os limites convencionais conhecidos até aí. Para além de nos falar da história da ciência e da filosofia da ciência, apresenta-nos algo que muito defendia como as relações da ciência com a sociedade e o ensino mas também com a literatura, nomeadamente a poesia. Um dia, sabendo da sua grande admiração por muitos poetas, nomeadamente Rilke que o levara a aprender um pouco de alemão para o ler no original, perguntei-lhe se, sendo lugar comum dizer-se que os poetas descrevem situações incompreensíveis, não haveria uma certa dicotomia entre poesia e ciência. “Claro que não”, respondeu: “Poesia e ciência são pontes para o mesmo território”. Aliás, ao longo das páginas deste livro, não são raras as ocasiões em que refere as relações entre as duas. Como também é conhecido - e muitas vezes o confessou ser um poeta “doméstico” - apenas escrevia para si e para a família mas sem publicar, excepção de algo que o foi por iniciativa da filha, a editora Cristina Ovídio. Mas não quero afastar-me do prometido que era dizer o que pensava desta obra que aqui trouxe desta vez. Sendo muito difícil ir mais além, tão enorme é a importância, a variedade nas formas de abordagem, os aspectos que dizem respeito à ciência, os seus intervenientes, os criadores, os filósofos da ciência, um mundo infinito de descobertas ou conceitos que nos são oferecidos para deles ter um melhor conhecimento, para que se possa absorver e viver cultura, que apenas me resta deixar o habitual convite para lerem alguns excertos. Foi difícil a escolha, tantas eram as páginas que desejava que todos lessem. É talvez a obra que maior quantidade delas ficarão a vossa disposição. Que gostem e apreciem, até que venha a ser reeditada. Fica a homenagem ao insigne investigador físico nuclear, um grande amigo e grande divulgador da ciência.


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O BOSÃO DO JOÃO
88 POEMAS COM CIÊNCIAS
Rui Malhó

Ao deparar com este título, o leitor mais informado pensará que ele se refere a tema relacionado com a ciência nomeadamente com a física. Todos se recordam de há dois anos ter sido finalmente descoberto o Bosão de Higgs no grande acelerador de partículas do CERN, acontecimento recebido com grande entusiasmo por toda a comunidade científica e também pela comunicação social, pois essa partícula tinha sido prevista pelo físico Peter Higgs em 1964 e era portanto esperada há décadas. O Bosão do João poderia portanto ser igualmente a previsão de uma nova partícula. Mas nada disso. O autor deste livro, Rui Malhó, é de facto um cientista, doutorado em Biologia pela Universidade de Lisboa - tendo escolhido para a sua tese o “Estudo da germinação do grão de pólen” - actualmente Professor da Faculdade de Ciências da mesma universidade e membro da Academia de Ciências, sendo autor e co-autor em dezenas de artigos em revistas científicas internacionais. Folheando o livro, nota-se de imediato que as suas páginas são preenchidas por poemas e numa observação mais cuidada à capa pode ler-se como sub-título “88 poemas com ciências”. Trata-se portanto de um livro de poesia. Rui Malhó não é poeta e os poemas foram escolhidos por ele devido à relação que cada um deles tem com a ciência. E o facto de ter escolhido “88” não foi por acaso. Estivemos numa das apresentações de lançamento do livro, precisamente no dia Mundial da Poesia e não nos ocorreu perguntar-lhe a razão da escolha desse número. Mas mesmo que o tenha feito por outras razões, podemos reparar que a junção desses dois algarismos para formar um número tem algo que nos leva a pensar em reflexo, o que tem a ver com propriedades da luz e da interposição de determinados materiais; e também o símbolo oito possui dois círculos que se tocam, numa rigorosa simetria; física, geometria, matemática claro, a ciência enfim. Motivo ou não para esse pormenor do subtítulo, o livro que o autor nos apresenta vem demonstrar o que algumas pessoas esquecem. Poesia e ciência ou arte e ciência sempre tiveram uma ligação, aliás necessária na opinião de importantes vultos da cultura. Tal como relembra Sampaio da Nóvoa no prefácio do livro de Rui Malhó, já Álvaro de Campos, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, afirmara que “o artista conhecerá melhor o mundo, e até a sua arte, se souber matemática e física e biologia e química. O cientista compreenderá melhor as coisas e também a sua ciência, se se abrir à música, à pintura, à arte.” Rui Malhó, o cientista, confessa o seu gosto pela poesia que terá nascido durante as aulas de português no secundário. E parecendo estar afinal tão longe dos seus “textos científicos objectivos, pragmáticos, descritivos”, facilmente concluímos que, ao decidir publicar este livro, ele continua a aceitar a poesia como aliada imprescindível na sua vivência actual, como professor e investigador. Curiosamente, a ideia terá nascido do encontro casual com uma obra intitulada “a quark for Mr. Mark”, ao consultar estantes da Popular Science numa livraria britânica. O livro era afinal uma compilação de 101 poemas sobre ciência. Abandonada a primitiva hipótese de o traduzir para português, pensou – e ainda bem – em fazer uma escolha do mesmo género entre os nossos poetas que tivessem abordado a ciência nos seus poemas. De igual modo havia que escolher para título uma partícula elementar tal como era o caso de quark. Nada melhor do que o bosão tão falado recentemente e para manter a rima poética essa partícula seria do João. Depois de um trabalho certamente exaustivo na escolha apropriada, pois são muitos os nossos poetas que abordam temas de ciência nos seus poemas, decidiu-se pelos 88 que agora nos apresenta. Foi com enorme prazer que constatámos ser António Gedeão o primeiro a figurar nesta concepção da obra de Rui Malhó, nela figurando depois várias vezes. Rómulo de Carvalho, seu verdadeiro nome, foi nosso professor de físico-quimica no Liceu Pedro Nunes e com ele mantivemos uma relação de grande amizade, ultrapassando mesmo a de seu simples aluno, pois viria a ter grande influência noutra área da minha vida profissional. Nos seus poemas como em todos os dos restantes poetas que foram escolhidos por Rui Malhó a ciência está presente e é mesmo explicada com grande força poética. E não é só porque a poesia serve a ciência mas também em determinados momentos verificamos que a ciência alcança valores onde vibra a poesia. As duas forças como que se entrelaçam e ajudam dando um melhor sentido às ideias expressas. E se a poesia sempre foi uma forma literária que melhor transmite o que se passa no mais íntimo de um ser humano, sentimentos, desejos ou paixões, ela consegue explicar de forma mais límpida e compreensível para quem a lê, fenómenos científicos que de outra forma lhes poderiam passar simplesmente despercebidos, ficando longe do seu real significado. Mais conhecidos uns, menos conhecidos outros, o prazer de encontrar neste livro poetas que nos transmitem a sua arte atravessada por uma determinada descrição científica, em perfeita consonância, porque rima é também som, faz aumentar a nossa capacidade de abranger melhor cada uma das duas áreas. E este é um acréscimo real no valor desta obra que aqui depositamos no nosso Amor pelos Livros.

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A TEORIA DE TUDO
Stephen Hawking

No momento em que se exibe em todo o mundo o filme que esteve nomeado para os Óscars, com o mesmo nome, será perfeitamente normal que os espectadores recorram  à leitura da sua famosa obra para melhor conhecerem como aquele que é considerado um dos maiores cientistas da actualidade, o maior físico teórico desde Einstein, revela ao mundo a sua Teoria de Tudo. Conhecida a sua vida difícil mas corajosa, lutando contra uma doença que desde a juventude lhe foi destruindo progressivamente todos os músculos do corpo, deixando-o fisicamente inoperante, apenas conservando a prodigiosa capacidade da sua mente brilhante, é quase irónico que tenha dado ao mundo o conhecimento de todas as leis que regulam o universo. Ultrapassando tudo o que até então tinha sido defendido e afirmado pelos seus antecessores no domínio da astrofísica e mesmo dos seus pares na física teórica, Stephen Hawking conseguiu chegar a conclusões sobre as origens do universo que abalaram grande parte do mundo científico. E o mais espantoso neste seu livro é conseguir explicar teorias tão complexas com exemplos simples, alguns retirados da nossa vida quotidiana. Aliás a divulgação da ciência sempre foi considerada por ele com a preocupação de poder ser compreendida não apenas pelos cientistas mas pelo público em geral, mesmo por aqueles que apenas tenham o mínimo das noções eventualmente adquiridas durante a sua formação ou na simples leitura de alguns textos de divulgação científica. Este seu livro, editado entre nós em 2010, mas de novo com grande procura no mercado, em parte pelo sucesso obtido pelo filme da sua biografia e o Óscar com que foi galardoado o actor que desempenha o difícil papel do cientista, Stephen Hawking apresenta-nos uma série de 7 capítulos que denomina lições onde, conforme nos diz, “tenta resumir o que pensamos ser a história do universo, do Big Bang aos buracos negros”. Mas recorda-nos igualmente o que pensavam Aristóteles já em 340 a.C. e depois Ptolomeu, Copérnico, Galileu, Kepler, Newton e mais recentemente Hubble. Naturalmente diferentes e de acordo o que era conhecido em diversas etapas da nossa civilização, vamos acompanhando o que foram os seus estudos e investigações sobre a Terra e o espaço que nos rodeia, tudo aquilo que ficou para a história como uma espécie de caminho para a descoberta e compreensão do Universo, de que somos apenas uma pequeníssima parte. O problema principal que nos mais recentes séculos se colocava era a questão do início do Universo. Mas também do nosso lugar nele e de tudo o que existe muito para além do que observamos quando em determinados momentos olhamos para aquilo a que resolvemos chamar céu. Se nos interrogamos sobre o modo como tudo começou, também estamos interessados em saber para onde caminhamos. Stephen Hawking dá-nos uma visão muito precisa e que facilmente absorvemos de toda a série de observações que foram feitas e dos fenómenos detectados, mas também das consequentes interpretações feitas pelos diversos cientistas ao mesmo tempo que se desenvolviam motivações da parte das mais variadas religiões. Para estas, tudo era mais facilmente explicado pela existência de um ser superior ou criador e o problema estava resolvido. Mas a ciência, baseada na observação directa que hoje é possível com os instrumentos mais sofisticados e no desenvolvimento proporcionado pelas mais que provadas leis da física moderna e da matemática aplicada, foi progressivamente apresentando uma série de teorias para conseguir explicar como se processou a formação do universo, a sua expansão e o caminho que conduzirá ao seu destino. É toda essa série de teorias parciais que Hawking nos vai explicando ao longo das páginas deste livro, na tentativa de ser encontrada uma teoria unificada. Esse foi também um trabalho sem sucesso tentado por Einstein mas nesse tempo faltavam ainda certos conhecimentos que só ultimamente têm vindo a ser descobertos. Stephen Hawking consegue revelar-nos com pormenor o estado actual do caminho para encontrar a Teoria de Tudo. No final da leitura desta sua obra saberemos qual a situação actual e aos leitores será dada a conclusão. Estaremos ou não a caminho de uma Teoria de Tudo? O autor considera que a partir do momento em que for descoberta uma teoria completa todos seremos capazes de a perceber na sua generalidade e participar na discussão das razões porque o universo existe. E se descobrirmos a resposta, teremos obtido o triunfo máximo da razão humana. Porque então – afirma Hawking – conheceremos a mente de Deus. São muitos os que dizem que isto pode parecer um paradoxo vindo de um ateísta confesso, como é do conhecimento público. Sendo um dos maiores cientistas da actualidade que tornou a astrofísica acessível a todo o público é igualmente paradoxal e irónico que tudo aquilo que pensa e descobre esteja alojado no interior de um cérebro que pertence a um corpo aprisionado numa cadeira de rodas mas comunica connosco através de um computador que recebe o sinal enviado por um sensor colocado nos óculos que por sua vez reconhece um pequeníssimo movimento no seu olhar. E foi aliás ele próprio que o concebeu para depois ser montado pela Intel e assim,  apesar da sua debilidade física, ocupou até há pouco tempo a cátedra de Isaac Newton da Universidade de Cambridge, sendo actualmente Director do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica. Trabalhos, livros e conferências são conseguidos desta forma que, parecendo simples, é ao mesmo tempo extraordinária, tal como a sua mente prodigiosa que nos permite ler obras como esta que aqui deixamos.

Para ler um excerto desta obra clique aqui

Nota do autor deste site: Já depois desta obra, Stephen Hawking escreveu juntamente com Leonard Mlodinow outra mais recente (2010) ainda não editada em Portugal. “The Great Design” (O Grande Desígnio) é de novo uma tentativa para esclarecer as dúvidas que ainda subsistem. Uma história apenas do Universo ou várias histórias do que convivem em simultâneo? Já o lemos mas esperemos pela edição em português para o colocar aqui.

UM MUNDO INFESTADO DE DEMÓNIOS
A Ciência como uma Luz na Escuridão
Carl Sagan
Ed. Gradiva
Para que ninguém se assuste, o subtítulo é colocado também na capa (tal como aconteceu na edição original). Carl Sagan, o professor, cientista e investigador que certamente todos recordam, pelo menos pelo seu livro Cosmos, (que se seguiu à série de televisão homónima, vencedora de um Emmy e de um Prémio Peabody) considerado o livro de divulgação científica em língua inglesa mais vendido de sempre, vem precisamente nesta sua obra denunciar a ideia de que o mundo esteja infestado de demónios. Prémio Literário Los Angeles Times para Ciência e Tecnologia, ele desmonta toda uma série de mitos que ao longo dos tempos e mesmo no presente têm servido, por vezes com as mais malévolas intenções, destinadas a dominar as mentes mais desprotegidas do conhecimento. E é precisamente a ciência que tem sido essencial para resolver as possíveis dúvidas. Num exemplo muito simples que ele cita numa das páginas, a rotação do girassol de acordo com a posição do astro-rei foi considerada noutros tempos um milagre natural. Até que a ciência descobriu que o movimento da flor do girassol é devido a um tropismo, isto é, deve-se a um movimento que é executado através de acção hormonal que acontece na própria planta e orientado em relação a um estímulo externo, neste caso a luz solar, chamado fototropismo. Carl Sagan percorre nas páginas do seu livro os diversos períodos da nossa história e vai descrevendo os vários demónios que foram criados, ou melhor, inventados pelos homens. No mundo antigo, a crença nos demónios era generalizada. Ele relembra a própria crença existente em grandes figuras como Sócrates ou o seu discípulo Platão que consideravam que a sua criatividade tinha origens demoníacas. E até Aristóteles aceitava que os sonhos tinham origem em demónios. Que dizer então da gente simples dos povos dessas épocas? As figuras demoníacas estavam presentes para onde quer que se voltassem. E os demónios e os mitos foram ficando. Mesmo à medida que o tempo passava e alguns desapareciam, logo outros tomavam o seu lugar. O autor vai citando com enorme precisão os mais variados documentos histórico-culturais em que baseou o seu estudo. E assim vamos percorrendo o caminho da criatividade demoníaca. É espantoso como crenças ou religiões de todos os géneros sentiram necessidade de criar entidades, pretensamente maléficas, para justificar o que não era ainda compreensível ou não tinha sido descoberto. E não foram poucos os que chegaram a espalhar como credível aquilo em que eles próprios não acreditavam. Razões muito obscuras para eventualmente exercerem domínio sobre os seus seguidores. Tudo isso é analisado com muito pormenor e com a referência às obras consultadas pelo autor ou à sua experiência pessoal. E desse modo conclui que não é de admirar que a ideia tenha prevalecido e até ainda subsista hoje em algumas das pretensões da chamada pseudociência. Carl Sagan aborda com muita profundidade o caso dos discos voadores, óvnis e extraterrestres que falsos cientistas chegaram a defender. Lembra-nos as estranhas visões presenciadas por muita gente nos mais diversos locais do mundo, mas sobretudo na América, que constituem um prolongamento da ideia da existência de demónios pois se alguns, como o célebre “ET”, não tinham más intenções, outros teriam vindo anunciar catástrofes mundiais e até mesmo o fim do mundo. Por mais estranho que nos possa parecer, a tendência para a irracionalidade criativa persiste. E apenas a verdadeira ciência a poderá combater. É a tal Luz na Escuridão. Por isso o autor aproveita também para falar no modo como hoje em dia se processa o ensino e se preparam as mentes dos jovens. Muito do que se passa nos tablóides ou é difundido por noticiários sensacionalistas pode ter, esse sim, um efeito maléfico para o aparecimento de futuras superstições. Mas o oportunismo político continua a deixar que esse aparatoso divertimento tenha lugar. Em nome da paz defende-se o nuclear. E este é um demónio da era moderna. Enfim, da invenção de Satanás aos testemunhos visionários do monstro de LochNess ou à defesa do nuclear, o caminho é necessariamente longo. Não nos é possível aqui descrever a variedade enorme e surpreendente dos casos citados. Richard Dawkins, ex-professor da Universidade de Oxford e grande escritor de divulgação científica britânico, escreveu que “recorrendo a um manancial de referências históricas e culturais, assim como à sua vivência pessoal, Sagan demonstra com enorme clareza e rigor que a tentação da irracionalidade é não apenas um erro cultural crasso como um salto perigoso para a escuridão, que põe em risco as nossas liberdades mais básicas”. E como Sagan não deixa de referir com grande insistência a actualidade das tecnologias que endeusam actividades como o nuclear, Dawkins interroga-se se não “estaremos no limiar de uma nova era de obscurantismo e superstição”. E até confessa que gostaria de ter sido ele a escrever este livro. Como não foi, diz que o mínimo que pode fazer é aconselhá-lo aos seus amigos. O mesmo convite dirigimos nós aos que nos estão a ler neste espaço.

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QUANDO OS MACACOS SE APAIXONAM
George Stilwell
Esfera dos Livros

Seria quase impossível que este livro não chamasse a minha atenção e não viesse muito merecidamente figurar nesta galeria a que resolvi, com toda a verdade, intitular Amor pelos Livros. De facto, este tema tem sido por mim tratado e defendido por várias vezes em vários dos artigos que tenho publicado. E o título tem sempre assinalado a ideia que igualmente defendo de que “Eles também amam”. Não tendo exactamente a formação universitária de George Stilwell, mas tendo percorrido os caminhos das Ciências Biológicas, dediquei-me na profissão de Jornalista à área da Natureza e dos seres que nela habitam. Claro que não consegui observar todos aqueles que este autor descreve com o rigor científico a que se dedicou mas também tive oportunidade de perder muitas horas, dias e meses, observando o comportamento de certas aves ou pequenos mamíferos, peixes, répteis, batráquios e também muitas espécies de invertebrados, sobretudo insectos e não só. E o certo é que de facto também concluí na maior parte das observações que eles também amam. Decerto que à sua maneira, mas não deixam de demonstrar atitudes de verdadeira afeição quer pelos parceiros ou parceiras como pelos filhos. Relembro antes de falar deste livro, como é minha obrigação, o caso de uma cegonha que num incêndio em Delft, morreu no telhado incendiado, preferindo ficar no ninho a abandonar os filhos, incapazes de voar. Haverá maior demonstração de afecto do que o sacrifício, em face de um perigo de morte eminente, em não abandonar os próprios filhos, em vez de fugir para um lugar seguro? Vejamos então o que nos conta George Stilwell neste seu livro sobre a vida afectiva dos animais e tal como aparece em subtítulo, das pequenas formigas aos gigantes elefantes. E todas as histórias que nos conta são de facto verídicas, tendo eu próprio como disse atrás, a oportunidade de as presenciar e fotografar. Escrito com um forte poder descritivo, o livro está dividido em capítulos para mais facilmente podermos ter conhecimento das várias etapas ou modos de compreender os diferentes tipos de afectos demonstrados entre uma enorme variedade de animais. Desde aquilo a que o autor chama muito correctamente a Odisseia de escolher um parceiro às muitas amizades improváveis, passando pelas formas de gestação à espera do grande dia, os pais ou mães solteiras, mesmo os pais adoptivos e as tias que se ocupam dos cuidados da prole do grupo, a escola, o comportamento em grupo ou em sociedades, a defesa da família, há uma multidão de “estranhas formas de amor”. E mesmo que por vezes se possa estranhar um comportamento de certo modo agressivo contra a própria espécie, ele existe para garantir que a descendência não seja afectada na evolução do que se considera mais forte perante a adversidade. Tudo isso nos é explicado com as mais subtis observações do autor, baseadas naturalmente nos conhecimentos adquiridos pela sua formação em veterinária ao lado da de professor universitário que actualmente exerce. Mesmo que eu me alheasse do meu confessado entusiasmo pelo tema, considero esta obra muito importante para um melhor conhecimento da vida animal e da defesa dos restantes seres vivos que connosco devem habitar este planeta, o único que, ao que julgamos de momento, é o único em que podemos sobreviver e que devemos preservar para as gerações vindouras com tudo aquilo que nele herdámos ao longo da nossa evolução de milhares de anos. Recomenda-se portanto a leitura e duplamente tem o seu lugar reservado desde já no meu Amor pelos Livros.

Se quiser ler um excerto desta obra clique aqui

A Terra, Património da Humanidade
A.M.Galopim de Carvalho

Âncora Editora

Naturalmente que existem autores portugueses que deveriam estar aqui presentes neste espaço que criei mas tem faltado o tempo para o fazer e assim tenho privilegiado sobretudo os escritores que vão publicando obras mais recentes juntamente com as novas edições que vão aparecendo de alguns clássicos mundiais. Uma ou outra excepção a esta regra aparece de vez em quando. E eis que o lançamento recente de uma obra de Galopim de Carvalho que não se integra neste espaço que criei sem distinção de temas ou de ideias. Mas há muito que o nome de Galopim de Carvalho deveria ter aqui o seu lugar. Para além de uma das mais notáveis figuras da nossa comunidade científica actual, Doutorado em Geologia e professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, foi director do Museu Nacional de História Natural e impulsionador de numerosas acções de divulgação e conservação do nosso património natural. Todos o conhecem como o defensor dos vestígios da existência dos dinossáurios em Portugal e acérrimo lutador pela conservação desses vestígios. E, sendo verdade, é ainda muito mais do que isso. É um acérrimo defensor deste planeta e nomeadamente de tudo o que diz respeito a este recanto que é o nosso pequeno país mas enorme porque cheio de riquezas naturais incalculáveis. E a prova imediata é por exemplo este livro que escolhi entre as suas várias obras publicadas. “A Terra, Património da Humanidade” demonstra bem o quanto devemos amar este planeta. E é com os seus vastos conhecimentos que nos descreve o que nele existe de grandioso, como se foi formando ao longo da sua evolução, viajando no espaço “Como Bola Colorida”, evocando nesta frase o poeta António Gedeão, o Professor Rómulo de Carvalho, a quem o livro é dedicado. Ambos que somos admiradores do nosso grande professor, também Galopim de Carvalho demonstra nesta obra o seu poder de comunicação, divulgando aos leitores numa linguagem simples e acessível tudo, ou quase tudo, o que a ciência conseguiu até agora descobrir e explicar sobre os grandes momentos da história da Terra. É como se estivéssemos a assistir ao aparecimento de um primeiro corpo celeste, inerte, sem vida, no qual – e isso nos vai explicando – se foram dando sucessivas modificações, desde o seu núcleo à crosta externa, interacção com outros corpos provenientes do espaço exterior, formação de massas continentais e sua fragmentação, tudo aquilo que iria preparar a chegada de células muito simples que iriam mais tarde dar origem aquilo a que chamamos organismos vivos. Daí para frente, já o caminho é mais conhecido, quando a certa altura aconteceu a existência de água, e depois, a formação dessas pequenas células, seguindo-se a atmosfera que iria permitir que aparecessem seres mais complexos que se foram formando e diversificando. E depois a Terra, sempre a Terra, permitiu também que eles por ela se espalhassem e se desenvolvessem ainda mais. Portanto é todo o início desse complexo sistema, aquilo a que vamos assistir nesta obra de Galopim de Carvalho, repleta de explicações que de outra forma poderiam parecer confusas mas que com a sua incansável maestria vamos assimilando com todo o gosto, quase sem darmos por isso, como se de um simples conto se tratasse. E é essa a ciência deste insigne Professor de Geologia. É isso que tem feito em todas as suas inúmeras conferências e em todos os projectos de divulgação a que se tem dedicado, alguns deles a que assistimos pessoalmente. Ele conhece e ensina a conhecer. Para além da transmissão do saber, abre-nos um mundo de perspectivas ainda maiores, no Dicionário de Geologia, a obra mais recentemente publicada e que conclui um projecto iniciado, há 40 anos, pelo Professor Carlos Teixeira no então Centro de Estudos de Geologia da Faculdade Ciências de Lisboa.
Mais do que um Dicionário, a forma como está organizado e escrito, ajuda-nos a compreender a razão da existência de muitos termos, necessários para uma melhor compreensão deste maravilhoso conjunto de matéria que constitui o solo que pisamos a nossos pés, que nos fornece a energia para os nossos alimentos, que perfuramos para dela extrairmos riquezas incalculáveis ou onde vamos construindo e erguendo os símbolos edificantes da nossa civilização. Assim a saibamos conservar por muitos anos e respeitar, tal como infere o conceito de um património da Humanidade. Bem-haja o autor por nos conceder o privilégio de melhor conhecer esse património.

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O CIENTISTA DISFARÇADO
Investigando os pequenos acidentes do dia-a-dia
Peter j. Bentley

Publicações Europa-América

Peter Bentley é um caso paradigmático do cientista que está sempre disposto a comunicar com todos aqueles que anseiam conhecer o que a ciência faz e as explicações para que os fenómenos aparentemente fechados ao comum dos cidadãos se tornem claros e compreensíveis. E para essa acção de difusão do conhecimento, contribuem os seus livros, as suas conferências e até a capacidade das novas tecnologias mantendo um blogue com o título de O Mundo de Peter J. Bentley onde esclarece as dúvidas de quem o visitar. É de facto extraordinário como este homem doutorado em Genética Algorítmica e com uma licenciatura em Inteligência Artificial, responsável do departamento de Ciência Computacional do Colégio Universitário de Londres, colaborador permanente da Revista New Scientist e toda uma enorme actividade no ensino universitário, tenha conseguido tempo para nos descrever de uma maneira totalmente simples a natureza dos fenómenos que observamos no nosso dia-a-dia e aos quais dávamos até aí razões completamente aleatórias e sobretudo erradas. Não encontrávamos explicações para elas e portanto simplesmente aconteciam. Em grande parte dos casos, chegávamos a culpar-nos de isto ou aquilo nos acontecer ou então culpávamos a própria ciência. Como ele próprio diz, ainda podem existir pessoas que culpam os cientistas por terem inventado os computadores pois se o não tivessem feito não existiriam os respectivos vírus. E talvez outros pensem erradamente que se a ciência não existisse as nossas vidas seriam muito mais simples e portanto seríamos mais felizes. Ora é precisamente por estas e outras razões semelhantes que ele mantém uma actividade contínua a desmistificar a ciência e torná-la compreensível e acessível a todos. São igualmente suas as palavras em que reafirma que “a Ciência é nada mais, nada menos do que o melhor caminho para compreendermos o mundo à nossa volta”. Estivemos há momentos no seu blogue, que há pouco citámos, e encontrámos respostas muito recentes a perguntas que lhe foram feitas pelos visitantes das mais variadas classes e grupos etários. Um estudante faz-lhe uma pergunta sobre uma das suas últimas descobertas. Peter Bentley inventou recentemente uma forma de fazer um iPhone funcionar como um estetoscópio, aquele instrumento utilizado em medicina para observar as batidas do coração. O seu Iphone faz isso mesmo e até consegue um electrocardiograma. Extraordinário o que este homem consegue com os seus conhecimentos na área da Biologia e da Inteligência Articial! Já é um app da Aplle. Trazemos aqui um dos seus últimos livros a que deu o título de Cientista Disfarçado. Nestas páginas o autor investiga pequenos acidentes do nosso dia-a-dia, como por exemplo escorregar na casa de banho, deixar queimar uma torrada na torradeira e se a deve comer ou não. Alguém está cheio de pressa para sair de manhã e vai ao frigorífico e afinal o leite está azedo ou entrou na banheira demasiado cheia e a água saiu para fora (Lembra o grito soltado por Arquimedes na mesma situação quando afinal ele nem gostava de tomar banho, como está provado hoje em dia). E quantas vezes nos aconteceu parar de repente numa rua e perguntarmos a nós próprios: onde é que eu estou? Mas não, não se trata de Alzheimer. É algo muito comum que sucede repentinamente. O nosso cérebro estava, como é costume dizer-se, noutra onda. Ora para todas estas questões ou acidentes e muitos mais o Cientista Disfarçado tem uma resposta. Essa resposta é nos dada pela Ciência. Não existe nada de anormal. Explicado por Bentley, tudo se torna mais simples. Cada acidente é causado por uma falha tecnológica ou, mais habitualmente, por falharmos a nossa tecnologia, diz-nos com extraordinária clareza o autor neste sua obra que depois de começarmos a lê-la não paramos enquanto não chegarmos ao fim. É bom compreender a Ciência. Estou à vontade, não por querer arvorar em cientista, que o não sou, mas lembrando que durante vários anos realizei um programa de Rádio na Estação Oficial chamado “A Ciência ao Serviço do Homem”. Foram vários os debates a que assisti e coordenei. E com eles terei aprendido essa grande verdade. Tudo pode ser explicado (ou quase tudo) e quando é pela mão ou - melhor, neste caso – pelas palavras do autor deste livro, cientista de renome internacional mas que sabe falar ao público menos esclarecido, a Ciência torna-se algo que devemos respeitar e contribuir para que progrida sempre e nos revele aquilo que ainda temos de descobrir. O caminho será sempre em frente. Mais e mais, à descoberta dos segredos do Universo. Convido-vos a ler o livro.

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A MEDICINA E AS MITOLOGIAS
Mitos antigos e modernos
Armando Moreno
Ed. Medilivro


A obra mais recente de Armando Moreno, o insigne Médico e Professor Catedrático da Universidade Técnica de Lisboa, vem acrescentar mais um trabalho à sua importante área de escritor a que igualmente se dedicou. Se é de realçar o seu curriculum médico nomeadamente na área da Ortopedia e respectiva cirurgia, com dezenas de trabalhos científicos e de investigação publicados, temos de salientar a sua extensa obra literária. E bastaria citar dois exemplos como O Mundo Fascinante da Medicina, em 12 volumes, e Médicos Escritores Portugueses de que foram feitos 12 episódios transmitidos pela RTP, onde também esteve presente noutras séries de programas, para ser de facto uma referência no meio médico nacional e internacional. A sua carreira de cirurgião ortopedista é bem conhecida pelas inovações criadas nesse domínio, em épocas onde eram raras tais intervenções com sucesso. Mas a sua bibliografia abrange também o romance, contos, poesia e teatro e vários ensaios literários. Conheço bem muitas das suas obras e têm um lugar seguro nas minhas estantes, amigos que somos, eu e o autor, diria mesmo mais do que amigos tão grande é a amizade que nos une, franca e leal. Mas mesmo que tal não acontecesse esta sua obra teria de ficar aqui “receitada”, já que de um médico-escritor se trata, ressalvando no entanto como ele próprio o diz na badana da capa que nela “o leitor não encontra descrições de patologias, muito menos de terapêutica”. A Medicina e as Mitologias é o resultado evidente dos seus conhecimentos na área da Medicina e de um exaustivo trabalho de pesquisa nos mitos da História Antiga e Moderna. O autor extrai da comparação entre o mito e o pormenor existente na realidade médica a sua conclusão lógica. A excelência dos comentários com que finaliza a sua análise, seja ela médica ou simplesmente social, é bem demonstrativa da personalidade do autor. Exímio na escrita como o foi na medicina, onde foi galardoado com prémios internacionais pelas suas intervenções, Armando Moreno não deixa de nos surpreender, aliando ao vértice da exactidão histórica a transposição para preocupações actuais de carácter humanístico e social. Dir-se-ia que estamos muitas vezes perante um historiador e um crítico. Como ele próprio afirma na Introdução “a finalidade dos Comentários, a propósito de cada Mito e de cada área médica, consiste, antes de tudo, em trazer para a modernidade os Mitos que, sendo representantes da tradição popular, se encontram, em muitos casos, vivos entre nós. Como interpretar nos nossos dias o Mito da Pandora? Que significado pode assumir o mito de Prometeu na vida moderna?” De facto, é na descrição e na sua análise que vamos surpreender-nos com temas e factos que estariam esquecidos por muitos de nós ou mesmo nos seriam totalmente desconhecidos. Se quase todos sabem o que significa o Calcanhar de Aquiles, onde se situa esse órgão no corpo humano e quem foi Aquiles, muitos não conhecerão porque era frágil aquela parte quase escondida do nosso pé. E também serão muitos os leitores que desconhecem a relação entre Poirot e a Anatomia do Pâncreas. São mais de 3 centenas de mitos que se estendem pelas Mitologias Clássica, Celta, Nórdica, Egípcia, Árabe e outras, como ainda ao culto mariano e santos populares que se estendem pelos 6 capítulos em que a obra está dividida abrangendo a Anatomia, Fisiologia, Cirurgia e outras especialidades médicas, assim como temas relacionados com a saúde.

De salientar ainda as muitas reproduções a cores de grandes obras da Pintura Universal, ilustrando naturalmente alguns dos mitos. Haveria muito mais razões para justificar a presença d’ “A Medicina e as Mitologias” e do seu autor Armando Moreno neste espaço de Amor pelos Livros. Na impossibilidade de enumerá-las todas resta-me a esperança de que, por falta do meu engenho, a análise simples que aqui faço seja suficiente para despertar o interesse dos leitores. Este livro tem ainda uma característica importante nos dias de hoje: é a possibilidade de o ir lendo de vez em quando, conforme a nossa disponibilidade de tempo, sem o perigo de perder a continuidade necessária numa história ou no enredo de um romance. Isto, embora estando cientes de que o entusiasmo pela novidade e pelo que vamos aprendendo nas mais de 400 páginas nos levará bem depressa a chegar ao seu termo.

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HISTÓRIA DA MATEMÁTICA
Victor J. Katz
Fundação Calouste Gulbenkian

Longe de mim ter a pretensão de vir aqui “dissertar” sobre o conteúdo deste livro. Então porquê a sua inclusão neste espaço? O ensino da Matemática tem sido desde há vários anos objecto e tema para os mais variados debates e muitas das causas das fraquíssimas notas dos nossos alunos dos primeiros anos do ensino secundário nessa matéria foram sendo apresentadas como devidas ao fraco ou mesmo mau ensino da matemática. Foram nomeadas comissões de personalidades ligadas ao ensino, à ciência, filosofia, pedagogia e a muitos outros ramos do saber, inclusive da literatura, a fim de resolver essa situação. De um modo geral, a questão que acabava sempre por se colocar era o porquê da falta de interesse dos alunos pela Matemática. E muitos concordaram que seria necessário criar nos jovens uma apetência de carácter mais rigoroso do interesse que a Matemática sempre teve, tem e continuará a ter em quase todos os problemas do nosso dia-a-dia, qualquer que seja a ocupação ou a formação universitária. Ela está e estará sempre presente para resolver os problemas, tecnológicos ou não. Victor Katz, Doutorado em Matemática e professor emérito da Universidade de Colúmbia, dedicou-se à História da Matemática e sua utilização pedagógica, sendo autor de conceituados livros de estudo sobre as teorias da Matemática e de interessantes artigos nesse âmbito na Revista American Scientist. Victor Katz recebeu o Prémio Watson Davis da Sociedade de História da Ciência, por este seu livro agora traduzido por uma equipa de tradutores proposta pelo Prof. Nuno Crato, com revisão e uniformização do Prof. Jorge Nuno Silva do Departamento de História e Filosofia da Universidade de Lisboa. Esta obra preenche exactamente os fundamentos que presidem a criação pela Fundação Gulbenkian da sua colecção de Manuais Clássicos, destinados a auxiliar estudantes e professores que nem sempre conseguem encontrar as obras necessárias para o incentivo e auxílio nas matérias que pretendem estudar ou melhor compreender o seu alcance a nível social. O próprio Victor Katz escreve no prefácio que “o conhecimento de história da Matemática mostra aos estudantes que a matemática é um empreendimento humano importante. A Matemática não foi criada em forma polida com que aparece nos livros de texto, foi antes desenvolvida muitas vezes de forma intuitiva e experimental respondendo à necessidade de resolver problemas. A evolução dos conceitos matemáticos pode ser utilizada com sucesso na sensibilização e motivação dos estudantes de hoje.”
Se outras razões não existissem isto bastaria para que esta obra pertencesse ao Amor pelos Livros mas existem outras razões. Pelo que já nos foi dado ler e apesar das restrições impostas pela formação profissional que não possuo nesta área, posso garantir que nas cerca de mil e cem páginas encontrei nos diversos capítulos em que a obra está dividida muita informação que para além de curiosa me ajuda a ter uma noção completamente diferente da própria História das diversas civilizações nas quais a Matemática teve sempre um papel importante. Desde escrita em plenas rochas, placas de argila ou papiros por cuidadosos escribas há milhares de anos antes de Cristo, é fantástico como ela presidia a muitas decisões que tinham de ser tomadas pelos soberanos ou sacerdotes para os mais variados fins. Era necessário calcular por exemplo o nº de operários ou de pães para os alimentar a fim de construir edificações, algumas das quais ainda hoje podemos admirar. E se isso foi por exemplo feito na Mesopotâmia 3.500 a.C. também foram encontrados registos nos famosos “ossos oráculo”, curiosos fragmentos de ossos com inscrições gravadas, datados de 1.700 a.C. na China, durante a dinastia Shang. Ficamos melhor informados de como foi sempre um problema de contagem a noção da matemática mais simples, desde por exemplo a conhecida anotação por barras sucessivas para representar números. Mas desde os primórdios que os chineses já usavam potências de 10 num sistema multiplicativo. A variedade é possível para qualquer pessoa com um mínimo de conhecimentos poder encontrar valiosas contribuições para os aumentar. Existem por exemplo dois capítulos dedicados à Astronomia e Matemática, Biografias de destacadas figuras em caixas separadas, tópicos especiais como por exemplo a discussão da influência egípcia na matemática grega. Encontramos a cada passo a explicação real de muitos probleminhas que nos são muitas vezes apresentados em jornais e revistas como curiosidades do mundo da matemática sob a forma de entretenimento. Quantas pessoas que conhecem livro de poemas Rubaiyat de Omar Khayyam, traduzido em quase todos os idiomas como uma das maravilhas da Poesia Persa, saberão que ele foi também um dos grandes matemáticos do seu tempo? Platão, o grande filósofo, discípulo de Sócrates, foi também um geómetra excepcional que ajudou a resolver pelo menos um problema, onde eram necessárias noções de cálculo, durante uma curiosa visita ao Egipto. Tratava-se por exemplo nessa época de saber como duplicar um cubo, isto é um cubo que tivesse o dobro do volume do original, Isto num tempo em que não se conhecia a operação de raiz cúbica nem tampouco de raíz quadrada. No tempo da civilização Inca, ainda sem qualquer linguagem escrita, já existia um sistema de numeração lógico fazendo os registos por meio cordas e nós. A obra também inclui um capítulo dedicado ao nosso grande matemático Pedro Nunes. E ao longo da História da Matemática também já nos tempos mais próximos se fala de alguém, o matemático Babbage, que foi segundo se julga o primeiro criador de uma máquina que viria dar a origem ao nosso computador actual. E naturalmente vem depois Alain Turing e por aí fora até aos dias de hoje. Portanto, creio que consegui demonstrar o interesse para todos os que desejarem ampliar os seus conhecimentos em ler algumas partes desta obra, sendo que outras serão efectivamente mais indicadas para estudantes e professores dessa matéria tão importante que é a Matemática.

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O LIVRO DA CONSCIÊNCIA
António Damásio
Temas e Debates – Círculo de Leitores

O mundialmente reconhecido neurocientista que há muitos anos saiu de Portugal e resolveu radicar-se nos Estados Unidos onde ocupa actualmente o lugar de Professor da cátedra de Neurociência, Neurologia e Psicologia da Universidade de Southern California, onde dirige o Brain and Creativity Institute, há mais de 30 anos que juntamente com sua mulher Hanna, também neurocientista, estuda a mente e o cérebro humanos. As suas investigações e os livros publicados mereceram os mais variados prémios e distinções entre os quais o Prémio Príncipe das Astúrias e recentemente o Prémio Internacional Honda Prize pelo esforço pioneiro e notável no domínio da Neurociência. Notavelmente reconhecido pelo público e pela crítica logo a partir do seu primeiro livro o Erro de Descartes (Damásio defendeu que contrariamente à afirmação “Penso – Logo existo” o que faz sentido é dizer “Existo – Logo penso”), seguiram-se O Sentimento de Si e Ao Encontro de Espinosa. n’O Livro da Consciência Damásio apresenta-nos as suas reflexões sobre como é que o cérebro constrói a mente e como é que torna essa mente consciente. No entanto ele próprio confessa que “seria disparatado partir do princípio que é hoje possível obter uma resposta definitiva”. Claro que existem diversas teorias antigas e recentes que abordam os problemas relacionados com essas questões e sobretudo de que forma nascem os sentimentos e tentam explicar a complexidade da real formação daquilo a que cada um de nós chama o nosso “eu”. Mas Damásio vai por outro caminho e além de nos explicar com uma clareza acessível aos leitores comuns a forma como é construída a estrutura do cérebro de forma a que seja possível a existência de um ser consciente e a formação dos mais variados sentimentos, está ao mesmo tempo a estabelecer a ligação possível entre a biologia e a cultura. É curioso o autor ter colocado na epígrafe um poema de Fernando Pessoa que, como ele afirma, tanto trabalhou a consciência. “Minha alma é uma orquestra oculta; não sei que instrumentos a tangem, cordas e harpas, tímbales e tambores dentro de mim. Só me conheço como sinfonia” (do Livro do Desassossego). E também cita o grande físico Feynmam: “O que não consigo construir não consigo compreender”. É como se afinal se tratasse de uma tentativa para ir mais além e descortinar o que nos obriga a desconhecer. E para isso nada melhor do que analisar os dados conhecidos, reflectir sobre eles e no fundo, como confessa, chegar à conclusão de que há muita coisa que não sabemos mas gostaríamos muito de saber. Uma coisa é certa. O livro está repleto de conhecimentos que nos ajudam a compreender melhor esta quase crise existencial que nos seria apetecível entender de facto mas apenas está a uma certa distância de lá chegar. E sobretudo aprende-se muito com este livro de Damásio. Ele não é apenas o professor a falar para os seus alunos da Universidade numa aula de neurociência. Ele está connosco, mesmo os que possam não saber nada do assunto, de como as células ou os mais pequenos organismos possuem estruturas específicas para seguir em determinada direcção – porquê uma e não a outra. Mas mesmo sem ir por aí, questões como a razão porque nem sempre o nosso eu controla as nossas decisões, mistérios que podem ser desvendados, podendo embora conduzir a outros para os quais não conhecemos o significado. O brilhante neurocientista ensaia a relação entre sentimentos e consciência. Nem sempre o que parece óbvio culmina na verdade. Não me atreveria a dizer que o autor chegaria à conclusão socratiana de “só sei que nada sei”. E é precisamente pelo seu saber, pela sua investigação e pelo que nos revela neste livro tão magnífico que vale a pena lê-lo. Aprendemos de facto, sobretudo os que nada sabem. Vai ser um novo êxito editorial. Disso estamos certos.

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O JACKPOT CÓSMICO
Paul Davies
Gradiva

Foi este exactamente o título que o autor escolheu no seu original em língua inglesa. Cremos que de qualquer modo s seus leitores, nomeadamente nos Estados Unidos e no Reino Unido, compreenderam, como nós aqui em Portugal o temos de aceitar, que se trata de algo de maravilhoso para o nosso bem estar possível neste Universo. O Cosmos oferece-nos um jackpot, Assim o saibamos compreender e aceitar, Paul Davies é um físico e cosmólogo conceituado internacionalmente, autor de variadíssimos artigos e livros de divulgação na sua área (alguns deles editados igualmente pela Gradiva) mas usando em todos eles um estilo muito claro para que todos facilmente entendam a complexidade que parece às vezes – e assim é de facto – existir nesta questão da descoberta do Cosmos. Ele vai mais além do que Sagan, sem dúvida este também com muito mérito, mas nos dias de hoje as mais recentes descobertas modificaram um pouco o que se pensava de certas etapas mais obscuras do nosso universo. E dizemos nosso porque para além deste Davies nos apresenta o conceito de multiverso pois se "alguma das leis ou constantes físicas que regem o universo tivessem um tudo-nada diferentes, a vida tal como a conhecemos seria impossível". O nosso universo é apenas afinal um de um número infinito de universos. E só estamos aqui e nos sentimos vivos porque recebemos um jackpot cósmico. Claro que isto levanta problemas sobretudo de carácter religioso para tudo o que é crença numa entidade sobrenatural. Mas Davies não pretende com isso exaltar a polémica e excitar os ânimos. A sua intenção - e consegue-o se o lermos atentamente – é explicar-nos o que as mais recentes descobertas nos trouxeram no domínio do conhecimento para que possamos usufruir deste planeta num universo único que curiosamente ao nascer de um big-bang já teria tudo muito bem organizado nas mais ínfimas partículas para que acontecesse a vida e “acontecessemos” nós. Michio Kaku, um dos mais eminentes e respeitados cientistas dos nossos dias, autor de numerosas obras essenciais para muitos estudantes das universidades, participando em programas televisivos e documentários de Ciência na BBC, disse a propósito deste livro de Paul Davies que se tratava de algo verdadeiramente hipnótico. Lê-se como um romance policial. Impossível parar de virar as páginas. E porque sinto exactamente o mesmo, tal é a clareza e o entusiasmo com que o autor nos explica o encantamento que o leva a concluir que o nosso universo é mesmo bom para a vida é que aqui o deixo ao dispor dos visitantes no meu Amor pelos Livros. De facto todos nós ganhámos um Jackpot cósmico. E eu juntaria, dadas as minhas mais que conhecidas ideias de defesa do ambiente, que vale mesmo a pena não estragar mais – e já o fizemos demasiado por largo tempo – o único planeta que temos para viver e deixar às futuras gerações.

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O CLUBE DA HIPOTENUSA
Claudi Alsina
Planeta

Este Clube da Hipotenusa é mais um livro de Matemática que nos entra pela porta do Amor pelos Livros. E alguns daqueles que aqui regularmente nos lêem pensarão que deve existir uma razão para que eu sinta uma certa inclinação para gostar de livros de Matemática. Se por um lado esse gosto existe, devo confessar que nem eu próprio compreendo a verdadeira razão. A minha formação académica não tem muito a ver com a matemática apesar de hoje se saber – e é verdade – que tudo ou quase tudo tem a ver com ela. Sem a matemática como poderia avançar a ciência? Como seria possível estarmos a percorrer estas auto-estradas da informação? Para tudo afinal existe uma equação que explica os mais diversos fenómenos. E depois existe sobretudo a questão dos números. Mas pessoalmente esta forte inclinação, tanto quanto me lembro, talvez seja explicada por ter sido dos poucos alunos da antiga Politécnica (Faculdade de Ciências de então) que conseguiu ter um 16 na cadeira de Álgebra Superior com o temível e exigente Vicente Gonçalves. Mas entremos então no Clube da Hipotenusa onde o catedrático de Matemática da Universidade da Catalunha nos apresenta “um divertido passeio pela história da matemática através das suas anedotas mais hilariantes”. Claro que umas serão mais hilariantes do que outras, algumas serão meras curiosidades pois nem todas de facto fazem rir mas o certo é adquirirmos conhecimento. Nem tudo aconteceu como pensávamos. Os grandes matemáticos tinham naturalmente as suas fraquezas e algumas não eram assim muito aceitáveis em termos de princípios morais. Mas enfim, os grandes matemáticos eram também homens como quaisquer outros. E não é isso que os fará cair do pedestal. Descem apenas alguns degraus. A propósito sabe quais são os livros que mais se vendem no mundo? Acredito que vai responder: os romances. Pois está enganado. São os livros de Matemática. Bom, mas também fica a saber que antes dos Maias terem “descoberto” Colombo e tudo o mais que o navegador lhes quis mostrar, já 2.000 anos antes os maias iam desenvolvendo um sistema avançado de numeração, de calendário e de cálculo astronómico. Mas entre muitas mais coisas ficará a saber se Arquimedes costumava de facto usar a banheira. Quais as matemáticas aplicáveis às relações sexuais? Porque razão os números foram anteriores às letras? Dois grandes matemáticos resolveram o mesmo problema sem terem notícia um do outro. A qual deles atribuir a descoberta? Enfim, como diz o autor, o Clube da Hipotenusa colocado no meu Amor pelos Livros pode contribuir para romper o tabu das matemáticas antipáticas e apresentar a sua face amável e humana. Divirta-se a lê-lo.

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DARWIN SEMPRE
A ORIGEM DAS ESPÉCIES
No ano que recentemente terminou em que se comemoraram os 200 anos do nascimento de Charles Darwin e os 150 anos da publicação da primeira versão do seu livro “A Origem das Espécies”, realizaram-se por todo o mundo exposições, conferências, debates, artigos nas mais prestigiadas revistas, científicas ou não e a edição de novos livros sobre Darwin e a sua importância na história da Evolução e das Origens. Sem dúvida que “A Origem das Espécies” foi a sua obra mais polémica, até porque Darwin nas 6 edições que foram publicadas durante a sua vida estava constantemente a fazer correcções e alterações. Isso significava que a sua mente prodigiosa não se cansava de continuar um estudo que considerava importantíssimo sobre a evolução de todos os seres vivos. Apesar da primeira edição de 3.000 exemplares se ter esgotado no dia da sua publicação em Novembro de 1859, houve quem o louvasse e quem o odiasse de tal modo eram polémicas as suas ideias sobre o modo como evoluíam espécies e nomeadamente sobre a Origem do Homem, outra obra que publicaria depois e que se opunha globalmente às doutrinas divinas da criação, demonstrando que todos os mamíferos descendiam de um antepassado comum, possivelmente um pequeno roedor, dele se originando um ramo de primatas, onde um dos sub-ramos teria dado origem aos nossos antepassados. A nossa ideia em só agora colocar aqui algumas referências às edições mais significativas é precisamente a de afirmar que apesar de algumas novas interpretações, sobretudo no caso das descobertas em genética que vieram dar uma nova luz aos mistérios da evolução, defendemos que “Darwin ... Sempre”.



Em Portugal, foram duas as novas edições d’A Origem das Espécies, a primeira da Europa-América, aproveitando a passagem do seu 60º aniversário, numa tradução de Dora Batista e em Novembro a do Círculo de Leitores da responsabilidade de Vítor Guerreiro. De qualquer modo, ambas respeitam a essência fundamental da última edição revista por Darwin.
Trata-se de uma obra que não devemos deixar de ler e sobre ela meditar, embora à luz de modernas descobertas científicas. É que o seu trabalho foi de tal modo importante e resultado de um esforço e investigação nesta matéria, tão raros naquele tempo, que continua a ser uma lição e um rumo para quem pretenda conhecer o caminho que as espécies percorreram até alcançarem o que são hoje e sobretudo longe da ideia cri accionista de terem sido obras de uma qualquer divindade.
Tendo-se formado em Medicina e Teologia, parte com 22 anos a bordo do Beagle, uma pequena embarcação da época, para fazer companhia ao capitão Fitzroy, fugindo de certo modo à vida clerical que seu Pai lhe havia destinado. Durante 5 anos percorreu os cinco continentes e nas diversas expedições em terra não se cansava de anotar observações nos seus papéis e recolher numerosas amostras de animais e plantas que enviava para sua casa ou para biólogos e geólogos que conhecia. Tudo o fascinava e questionava-se sobre a enorme diversidade de espécies vivas que em muitos casos e em locais diferentes apareciam com certo número de variações. Ficou célebre a passagem pelas Ilhas Galápagos onde notou precisamente essa variedade de uma ou outra espécie, entre uma e outra ilha, apesar de apenas separadas por um manto de água. Por que razão aconteceria tal facto? É tudo isso que mais tarde irá resolver no seu regresso à casa de campo transformada em Laboratório. Numa admirável dedicação ao desvendar dos segredos da Natureza e do Homem, é aí que começa a reunir todos os seus apontamentos que viriam a dar origem a todas as suas obras.


Reproduzimos também aqui, como curiosidade, a capa do exemplar raro que possuímos da primeira edição em língua portuguesa d’A ORIGEM DAS ESPÉCIES, datada de 1913, pela Livraria Chardron de Lelo & Irmão.
Janet Browne, principal biógrafa de Charles Darwin, demonstra no seu mais recente livro, já traduzido para português, editado pela Gradiva (A Origem das Espécies de Charles Darwin) porque é que a Origem das Espécies pode ser considerado o maior livro de ciência alguma vez publicado.
“O mais humilde dos organismos é algo de mais elevado que a poeira inorgânica a nossos pés. E não há ninguém com espírito sem preconceitos que consiga estudar qualquer criatura viva, por mais humilde que seja, sem se deixar entusiasmar pela sua maravilhosa estrutura e propriedades”, escreveu Darwin.

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O PARADOXO DA SABEDORIA
Elkhonon Goldberg
Publicações Europa-América

“Como pode a sua mente ficar mais forte à medida que o seu cérebro envelhece”. É assim que o autor apresenta esta sua obra. Professor de Neurologia da Faculdade de Medicina de Nova Iorque e investigador na área da neurociência cognitiva, ele revela-nos com clareza os seus estudos e os de outras figuras eminentes, onde destaca por exemplo o português António Damásio. Num grande número de pessoas existe a ideia de que o nosso cérebro vai perdendo capacidades à medida que envelhecemos. Os estudos actuais concluem que, exceptuando causas de origem fisiológica relacionadas com as chamadas doenças da terceira idade, não existem razões para que tal aconteça. E que as células responsáveis pelo bom funcionamento do cérebro continuam a reproduzir-se e a dar origem a novas células. Também é comum ouvirmos dizer que as pessoas de idade não possuem mais sabedoria e o que as diferencia dos mais novos é apenas o acumular de muitas experiências vividas. Claro que esta última particularidade é de facto importante mas isso não quer dizer que a sua sabedoria resida unicamente aí. Ao contrário do que é normal na maior parte das pessoas que consideram que ao envelhecer a vida deixou de ser uma batalha como era no passado e se tornou em algo de mais calmo e sossegado, quase digamos uma espécie de estagnação, o autor – e ele próprio vive essa experiência – acha que a vida deve continuar a ser uma festa que se tornará mais intensa à medida que a idade avance. E é este segundo Elkhonon Goldberg o paradoxo existencial do envelhecimento. Podemos ficar assombrados com os efeitos do envelhecimento mas ainda assim há que seguir o impulso que nos leve a prolongar a festa. O livro cita é claro vários exemplos de casos de personalidades conhecidas nas quais foram evidentes os declínios neurológicos mas não deixa de nos citar igualmente que a par de certas perdas cognitivas as pessoas idosas podem tomar decisões mais intuitivas e são numerosos os casos de grandes líderes ou de artistas que atingiram precisamente o sucesso numa fase adiantada da sua vida. Sem ser propriamente um manual de instruções para conservar uma mente saudável quando se aproxima o envelhecimento, o livro fornece-nos algumas indicações úteis para travar os seus efeitos.

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EQUAÇÃO BOGDANOV
Lubos Motl
Esfera do Caos
A origem do Universo foi sempre motivo de interesse, mesmo entre aqueles que acreditam na sua religião (quando têm uma) nomeadamente a Católica. As diversas teorias científicas, que não são assim muitas, contrastam naturalmente com a explicação simples de ter sido obra de uma entidade sobrenatural. Algo, em determinado momento, fez nascer este mundo que ao longo da história tem sido sucessivamente alargado até se ter chegado à conclusão que não estamos sós no planeta Terra, que esta faz parte do sistema solar que gira em volta de uma estrela, numa galáxia onde há milhões de estrelas com os seus sistemas e num espaço onde existem outros tantos milhões de galáxias. E tudo isto em expansão desde o famoso Big Bang. As religiões rejubilaram, apesar de tudo, pois teria sido isso que a tal entidade originara. Eis senão quando, alguns cientistas começaram a interrogar-se sobre o que existiria afinal antes do Big Bang. O livro de Lubos Motl, personalidade da física moderna, membro da Sociedade de Investigadores de Harvard, talvez o fórum mais importante sobre as actuais teorias nesse ramo da Ciência, explica-nos com grande simplicidade o que é a Equação Bogdanov. Para os que não sabem trata-se de uma teoria exposta no início deste século pelos Irmãos Bogdanov (e daí o nome) numa série de artigos e conferências que levantaram uma das maiores polémicas da ciência moderna. A comunidade científica dividiu-se. E a grande maioria chamou-lhes mesmo charlatães. A equação Bogdanov responde, segundo os dois físicos Igor e Grichka, à eterna questão sobre se terá existido alguma coisa antes do Big Bang. Apesar de eu próprio ter trocado impressões com um grande amigo, conceituado físico e personalidade de relevo no nosso meio científico, recebendo dele a informação de que os Bogdanov não passam de charlatães, assumi a responsabilidade de colocar esta obra no meu Amor pelos Livros pois concluí que Lubos Motl nos descreve, para além do que significa essa teoria e da verdade que pode ou não encerrar, uma admirável e muito compreensível história do que têm sido ao longo dos tempos os caminhos da ciência e nomeadamente da física. Cruzamo-nos com personagens tão relevantes como Einstein e Plank ou Hawking e Feynman. E até Galileu, Copérnico e mesmo Aristóteles. É uma aventura permanente que nos leva a recordar conceitos desde a relatividade aos buracos negros. E posso garantir que quem ler esta obra ficará mais consciente do que é este Universo, de como algumas coisas provavelmente acontecem, de como é possível pensar, interpretar e ter uma opinião sobre problemas relevantes da nossa relação com o Universo. Não ficaremos com a resposta exacta que os Bogdanov queriam dar-nos nem é essa, segundo cremos, a intenção do autor. Mas aprenderemos decerto a ir mais além do que estávamos antes da sua leitura. E será que aquela teoria não traduz de facto a certeza de que existiu algo antes do Big Bang? E onde estará o segredo da Origem do Universo? Não percam este livro.

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O PRAZER DA DESCOBERTA
Richard Feynman
Gradiva
Nunca escondi a minha grande admiração por Richard Feynman. Creio que possuo todos os seus livros, quase todos editados pela Gradiva na Ciência Aberta. O Prémio Nobel da Física em 1965, o homem que numa corrida contra o tempo, juntamente com outros cientistas, nos iria dar a bomba atómica antes dos Alemães a conseguirem (do mal o menos, direi eu) é um cientista e escritor multifacetado. Quando lemos as suas obras, aprendemos aquilo que outros não conseguiram explicar-nos, recordamos conceitos esquecidos, projectamo-nos para o futuro, rimo-nos até (Está a brincar, Sr. Feynman). Mas uma das suas obras mais recentes explica-nos muito mais o que ele é ou foi, porque conseguiu saber tanto ou apenas chegar à conclusão de que ainda lhe falta muito para o saber e de como explicar tudo isto, toda esta fome de ir mais além na conquista do conhecimento. E ao descrever-nos como é possível sentir “O Prazer da Descoberta” Feynman revela-se mãos uma vez o conversador admirável que sempre foi e até gostava de ser. O livro reunindo textos de algumas das suas conferências, explica-nos como é a ciência por dentro, como nascem as ideias e como é difícil esse parto e não deixa de abordar o problema da ciência e da religião, sempre tão angustiante para crentes e ateus. Aplausos para Feynman que não gostava deles, na sua simplicidade que é e será sempre a característica dos homens verdadeiramente homens.

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